Núcleo de Direitos Humanos realiza escuta e apoio na 16ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia em Esperança–PB

O sol batia forte na pele e o vento frio no rosto, quando no centro da Praça da Cultura em Esperança–PB se ouvia um canto forte de mulheres reunidas. “Companheira me ajude, que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”. No dia 13 de março, um mar de bandeiras roxas balançando de um lado para o outro refletiam a energia de luta contra os impactos dos megaprojetos energéticos na região da Borborema. Como parte da programação do mês de direitos da mulher, a Defensoria Pública da Paraíba (DPE-PB) se fez presente na 16ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia.

Desde 2023, o Núcleo Especial de Cidadania e Direitos Humanos (Necidh) da DPE-PB tem atuado junto aos órgãos do sistema de Justiça para garantir o direito das famílias que têm seus territórios e vidas impactados de forma direta ou indireta pela implementação de parques e usinas de energia renovável próximo de suas casas, principalmente em territórios quilombolas, indígenas ou de comunidades tradicionais. Na ação da última quinta, promoveu escuta e apoio às mulheres que trabalham no campo e a todas as pessoas impactadas pelos grandes empreendimentos.

“A Marcha das Mulheres do Polo da Borborema, para além de garantir visibilidade à causa, representa um importante ato de luta e de resistência, uma vez que as pessoas mais afetadas são aquelas em situação de vulnerabilidade, como pequenos produtores rurais, remanescentes quilombolas, assentados de reforma agrária e indígenas”, ressaltou a coordenadora do Necidh, a defensora pública Fernanda Peres.

MOBILIZAÇÃO – A mobilização das mulheres da região da Borborema atraiu a participação de outros grupos e movimentos solidários com a luta contra os impactos negativos dos megaprojetos. O povo indígena Kapinawá do Vale do Catimbau em Pernambuco se juntou ao ato por sofrerem impactos negativos na saúde em seu território, como a perda de audição, a ansiedade e o estresse causados pelo barulho das torres de captação do vento.

O acesso à energia produzida na região é outra causa defendida pelas mulheres. Marilene Guedes é liderança comunitária na Comunidade de Benefício, em Esperança, e comenta sobre os interesses de seus pares. “Como agricultoras, precisamos defender nossos territórios do modo inadequado de como este tipo de energia é instalada, um tipo de energia que não é acessível ao agricultor”, declarou.

Para Maria Anunciada Flor, agricultora familiar do município de Queimadas–PB, a instalação desses megaprojetos ameaça o modo de produção no campo e o meio ambiente. “Nosso território está sendo ameaçado pela instalação dos parques eólicos e das usinas solares, por trazer muitos prejuízos para o meio ambiente e para a saúde das famílias. Somos a favor das energias renováveis, mas não da forma que está chegando, de forma centralizada. Queremos que as famílias também possam ter energias renováveis em suas casas”, explicou.

COMPROMISSO – A coordenadora do Necidh, Fernanda Peres, reiterou o compromisso da Defensoria na luta pelos direitos das pessoas que mais precisam ao serem impactadas negativamente pela implantação das energias solar e eólica no Estado da Paraíba. “Diante da importância dessas populações para a instituição, a Defensoria Pública se fez presente para estar mais próxima e, dessa forma, compreender melhor as necessidades dessas pessoas a fim de buscar soluções que estejam em consonância com seus anseios e respeitem suas decisões”, comentou.

Texto e Fotos: Luiz Filho

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