Garantir que a cultura seja acessível para todas as pessoas foi o foco da reunião realizada nesta quarta-feira (14), na sede da Defensoria Pública da Paraíba (DPE-PB), no bairro do Tambiá, em João Pessoa. O encontro reuniu representantes da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), pessoas com deficiência e especialistas da área para discutir medidas de acessibilidade em eventos culturais promovidos na capital.
A reunião foi coordenada pela defensora pública Fernanda Peres, coordenadora do Núcleo Especial de Cidadania e Direitos Humanos (Necidh), que destacou a importância da construção coletiva de soluções para tornar os espaços culturais mais inclusivos. “Esse diálogo é fundamental para que possamos avançar na garantia de direitos das pessoas com deficiência. A acessibilidade precisa ser pensada desde o planejamento dos eventos até a execução, ouvindo quem vivencia diariamente as barreiras e dificuldades de acesso. A Defensoria Pública atua justamente para promover essa escuta e fortalecer a articulação entre o poder público e a sociedade civil”, ressaltou Fernanda Peres.
Durante o encontro, foram debatidas questões relacionadas à acessibilidade física, comunicacional e atitudinal nos eventos culturais realizados em João Pessoa, além da necessidade de maior integração entre os órgãos públicos envolvidos na organização das ações.
O chefe de gabinete da Funjope, Rivaldo de Araújo Dias, destacou que a reunião contribui para aperfeiçoar iniciativas que já vêm sendo implementadas pela fundação nos últimos anos. “A reunião foi extremamente importante porque nos ajuda a melhorar o que a gente já tem feito com relação à acessibilidade nas nossas produções, eventos e projetos. A Funjope já vem ao longo desses seis anos implantando ações para melhorar e consolidar a questão da acessibilidade, e esse diálogo nos permite escutar diretamente as pessoas que enfrentam as dificuldades de acesso. Isso nos ajuda a melhorar cada dia mais o serviço prestado”, afirmou.
A coordenadora do Fórum Paraibano de Luta da Pessoa com Deficiência, Carolina Vieira, ressaltou a importância da participação ativa das pessoas com deficiência na construção das políticas públicas voltadas à inclusão. Segundo ela, espaços de diálogo como o promovido pela Defensoria Pública são fundamentais para garantir que ações de cultura e lazer sejam planejadas de forma acessível e sem capacitismo. “Não dá para pensar na política da pessoa com deficiência sem a participação das próprias pessoas com deficiência. A acessibilidade vai além das barreiras arquitetônicas, passando também pela comunicação e pelas atitudes. Queremos participar do planejamento para que possamos desfrutar dos espaços culturais e de lazer de forma cidadã e inclusiva”, destacou.
O arquiteto especialista em acessibilidade, Eduardo Almeida, ressaltou que o encontro trouxe uma discussão necessária sobre os padrões adotados na contratação, organização e execução dos eventos culturais realizados em João Pessoa, para que a acessibilidade seja considerada desde o planejamento até a entrega final das ações. “Momentos como esse são fundamentais porque aproximam o poder público da sociedade civil e das próprias pessoas com deficiência, que vivenciam diariamente as barreiras de acessibilidade. Foi muito importante ver representantes de pessoas com deficiência física, auditiva e visual participando ativamente desse diálogo junto à Defensoria Pública e à Funjope”, pontuou.
Entre os pontos debatidos, esteve a necessidade de ampliar a presença de profissionais capacitados na área de acessibilidade e fortalecer a articulação entre as secretarias municipais, para que as ações sejam executadas de forma integrada e efetiva.
Texto: Larissa Claro
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