Exames de DNA realizados pela Defensoria confirmam vínculos e marcam histórias de famílias na Paraíba

Lizandra da Silva e a irmã, Larissa Kely

O resultado de um exame de DNA pode representar muito mais do que a confirmação de um vínculo biológico. Para quem passou anos convivendo com dúvidas ou aguardando a oportunidade de reconhecer oficialmente sua história familiar, ele pode significar a realização de um desejo antigo. Foi com essa expectativa que famílias compareceram ao Núcleo de Família da Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPPB), em João Pessoa, para receber os resultados de 16 exames de DNA realizados gratuitamente durante a quinta edição do mutirão “Meu Pai tem Nome”.

Aos 67 anos, Severina de Almeida viveu esse momento ao lado dos irmãos Manoel Almeida de Andrade, de 59 anos, e Josefa Andrade Alves, de 65. O custo do exame havia impedido a família de realizar o procedimento anteriormente. Com a campanha, os três conseguiram fazer o teste e receberam a confirmação do vínculo biológico. “Foi muito bom, porque era uma coisa que eu não estava conseguindo fazer, e agora consegui. Estou cheia de felicidade”, contou Severina.

Para Larissa Kelly Cabral da Silva, de 28 anos, o resultado representa a possibilidade de incluir o nome do pai biológico em seu registro civil. Criada por outro homem, ela desejava reconhecer oficialmente a paternidade, mesmo após o falecimento do pai. A confirmação veio por meio do exame realizado com Lizandra da Silva Gouveia, de 35 anos, que já tinha a paternidade reconhecida em seu registro. “Nosso pai já é falecido, e eu fui criada por outro homem. Não tinha o nome do meu pai biológico no registro e procurei a Defensoria para fazer o teste com minha irmã. Ela já tinha o nome dele no documento, e eu também quero acrescentar no meu. O resultado deu positivo”, relatou Larissa.

Para Lizandra, a confirmação trouxe a segurança de um vínculo que, afetivamente, ela já reconhecia. “Eu já tinha certeza de que ela era minha irmã. Desde o primeiro momento em que a vi, tive essa sensação. Mas, agora, com a confirmação, parece que ainda estou sonhando. Fico muito feliz em saber que ela é realmente minha irmã”, afirmou. As duas também destacaram a importância da gratuidade do exame.

Tatiane Dias e Tiago Ferreira

O desejo de esclarecer a paternidade também levou Tiago Ferreira Santana, de 37 anos, e Tatiane Dias, de 35, a participarem do mutirão. Os dois realizaram o exame para confirmar a paternidade de Jade Lorena, de 2 anos. Para Tatiane, o procedimento trouxe uma resposta importante para a família. “Foi muito importante fazer esse exame para saber a paternidade. Estou feliz. Facilitou muito”, disse.

Tiago também falou sobre o significado do resultado e sobre a possibilidade de realizar o procedimento sem custos, especialmente em um momento de dificuldades financeiras. “Estou muito feliz. É algo muito especial para mim, porque tirou as dúvidas. Fico feliz também por a Defensoria Pública oferecer esse exame gratuitamente. A gente estava em um momento sem dinheiro, e isso ajudou bastante. Agora estamos com o resultado e é seguir em frente”.

Aos 44 anos, Geliane Luiz da Silva encontrou na campanha a oportunidade de dar início a uma mudança que desejava havia muito tempo: incluir o nome do pai biológico em seu registro civil. Embora já reconhecesse a relação de paternidade, ela ainda não havia conseguido realizar o exame por questões financeiras. “Eu tinha o desejo de fazer a mudança no meu registro. Já sabia que ele era meu pai, mas não tinha recursos para fazer o exame. Aproveitei a campanha para tirar algumas dúvidas e dar início ao processo de registro. Estou bastante feliz”, relatou.

Os irmãos Severina de Almeida, Josefa Andrade e Manoel Almeida

“Com a entrega dos resultados, concluímos mais uma etapa do mutirão nacional ‘Meu Pai tem Nome’, que, na Paraíba, conta com uma parceria de mais de cinco anos com o Hemocentro. Agora, será possível dar continuidade aos procedimentos para o reconhecimento da filiação e a atualização dos registros civis, garantindo o direito à identidade”, destacou a defensora pública Mariane Fontenelle, coordenadora de Proteção à Criança e ao Adolescente da DPPB.

SOBRE O MUTIRÃO – A quinta edição do mutirão “Meu Pai tem Nome” aconteceu em agosto deste ano, em João Pessoa e Campina Grande. Ao todo, a ação reuniu cerca de 60 casos, envolvendo investigação de paternidade por meio de exames gratuitos de DNA, reconhecimento de filiação socioafetiva e reconhecimento voluntário de paternidade.

Idealizada pelo Conselho Nacional de Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), a campanha foi realizada pela Defensoria Pública da Paraíba, por meio dos núcleos de Direitos de Família (Neciv), Conciliação e Mediação (Necma) e Proteção à Infância e Juventude (Nepij), em parceria com o Hemocentro da Paraíba.

Texto e fotos: Felipe Bezerra

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