Defensoria reforça investigação policial voltada à prevenção de feminicídios durante seminário da Acadepol

Mais do que investigar crimes já consumados, é preciso agir para impedir que a violência contra a mulher avance ao seu desfecho mais extremo: o feminicídio. Foi com esse olhar voltado à prevenção que a Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB), por meio do Núcleo Especial de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), participou, nesta terça-feira (30), do seminário “Violência Contra a Mulher: Desafios e Perspectivas para a Investigação Policial”, promovido pela Academia de Ensino da Polícia Civil da Paraíba (ACADEPOL/PCPB).

O evento reuniu representantes de instituições que atuam nos sistemas de segurança pública e justiça para discutir estratégias de enfrentamento à violência de gênero e o fortalecimento das investigações policiais a partir de uma atuação mais integrada e qualificada.

Representando a Defensoria Pública no debate, a coordenadora do Nudem, defensora pública Monaliza Montenegro, compartilhou a experiência da instituição no atendimento às mulheres em situação de violência e defendeu uma mudança de perspectiva no trabalho investigativo. Ao abordar o tema “Perspectivas e desafios para uma investigação policial focada na prevenção de novos feminicídios”, ela ressaltou que o papel da investigação deve ir além do cumprimento de protocolos formais e incorporar uma atuação preventiva. “O melhor inquérito policial de violência doméstica é aquele que nunca precisou existir”, afirmou.

Dentro dessa perspectiva, Monaliza destacou a escuta qualificada como ferramenta essencial para identificar sinais de violência que muitas vezes passam despercebidos, especialmente aqueles que ultrapassam a agressão física e estão relacionados a dinâmicas de controle, opressão e violência psicológica.

“Nos casos de violência contra a mulher, a atuação policial vai muito além de protocolos formais. O foco da investigação deve ser a prevenção de novos feminicídios. Para isso, é essencial adotar uma escuta qualificada, desconstruir conceitos enraizados no machismo estrutural e treinar o olhar para identificar as violências invisíveis. Investigar sob a perspectiva de gênero é informar a mulher sobre os seus direitos e garantir o seu acolhimento correto em toda a rede de proteção”, complementou a defensora.

A diretora-geral da ACADEPOL/PCPB, delegada Maísa Félix, destacou a importância da participação da Defensoria Pública no seminário e da construção conjunta entre as instituições que atuam no enfrentamento à violência de gênero.

“A integração de todas as instituições de enfrentamento à violência contra a mulher é de grande importância. E a Defensoria Pública é parceira da Polícia Civil em várias atuações. Para nós, é um prazer fazer esta capacitação com os nossos policiais e, principalmente, trazer esse conhecimento para os nossos alunos que estão em formação”, afirmou.

SEMINÁRIO – A programação reuniu representantes da Polícia Civil, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Poder Legislativo e da comunidade acadêmica nos dias 29 e 30 de junho. Além da coordenadora do Nudem, participaram como palestrantes Cassandra Duarte, Sileide Azevedo, Luísa Correia, Daniella Ribeiro, Teresa Cabral, Carmen Hein e Artemise Leal, profissionais que atuam diretamente na defesa dos direitos das mulheres e nas discussões sobre gênero.

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