
De acordo com a coordenadora do Necid, defensora pública Fernanda Peres, a reunião teve caráter inicial, com o objetivo apresentar à comunidade informações sobre a importância da delimitação da área, já reconhecida oficialmente como quilombola desde 2025. “Falamos sobre a relevância desse processo, que ainda não foi concluído, e sobre a necessidade de a comunidade estar unida. Explicamos as vantagens do reconhecimento, a proteção jurídica para todo o território e os benefícios que podem ser acessados junto ao Governo Federal após a finalização da delimitação”, destacou.
A defensora explicou ainda que será necessária a realização de uma nova reunião, com a participação de outros grupos familiares da comunidade, para dar continuidade às tratativas relacionadas à regularização fundiária.

Para o início do processo de regularização, segundo Lucchesi, é necessário a elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), que envolve diversas etapas, como estudo antropológico das famílias que vivem na comunidade e levantamento fundiário da área.
Morador da comunidade, Antônio Dionísio de Melo, de 77 anos, nasceu, cresceu e construiu sua família em Mituaçu. Agricultor, ele destaca a importância do diálogo para garantir o direito ao território. “Nós vivemos da terra. Eu, minha família, somos agricultores. Nasci aqui, me criei aqui, tenho nove filhos e quase todos trabalham na terra. Plantamos limão, feijão, milho, macaxeira, inhame. O que a gente mais quer é continuar na terra, tirar o nosso sustento dela, porque é a única renda que a gente tem, junto com a pesca”, relatou.

Ao final da reunião, o Núcleo Especial de Cidadania e de Direitos Humanos da DPE-PB se comprometeu a entrar em contato com outros grupos familiares da comunidade, com o objetivo de ampliar o diálogo sobre a regularização territorial e definir uma nova reunião com maior participação dos moradores.
Texto e fotos: Felipe Bezerra
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